O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é um transtorno do neurodesenvolvimento, cujos sintomas têm início na infância, com a presença de manifestações antes dos 12 anos de idade, conforme os critérios diagnósticos atuais (APA; BRASIL). Entretanto, quando esses sinais não são reconhecidos precocemente, é comum que o diagnóstico seja estabelecido apenas na adolescência ou na vida adulta, especialmente quando as demandas acadêmicas, profissionais e sociais tornam os prejuízos mais evidentes. O TDAH acompanha a humanidade há mais de um século, embora seu conhecimento científico tenha evoluído significativamente nas últimas décadas. Atualmente, compreende-se que sua origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais que interferem no funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pelas funções executivas (APA; BARKLEY). Os sintomas podem se manifestar de formas diferentes entre as pessoas, sendo mais comuns a dificuldade de concentração, a desorganização, a impulsividade e a inquietação. Essas características ultrapassam situações ocasionais do cotidiano e podem comprometer o desempenho escolar, profissional, familiar e social, tornando fundamental uma avaliação clínica criteriosa, realizada por profissionais capacitados para identificar corretamente o transtorno.
O diagnóstico do TDAH exige uma investigação detalhada, pois não existe exame laboratorial ou teste isolado capaz de confirmá-lo. A avaliação considera o histórico clínico, a frequência dos sintomas, o impacto na rotina e informações obtidas junto à família, à escola ou ao ambiente de trabalho, quando necessário. Além disso, é indispensável descartar outras condições que apresentam manifestações semelhantes, como ansiedade, depressão, transtornos do sono, dificuldades específicas de aprendizagem e outros transtornos do neurodesenvolvimento (APA; BRASIL). Em muitas situações, o TDAH ocorre simultaneamente com outras condições clínicas, o que reforça a importância de um diagnóstico preciso. Quanto mais precoce for essa identificação, maiores serão as possibilidades de reduzir prejuízos emocionais, acadêmicos, sociais e ocupacionais, favorecendo o desenvolvimento e a qualidade de vida ao longo das diferentes fases da vida.
O tratamento deve ser planejado de forma individualizada e conduzido por uma equipe multiprofissional, de acordo com as necessidades de cada paciente. Esse acompanhamento pode envolver neurologista, psiquiatra, psicólogo, neuropediatra, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e educadores, quando indicado, promovendo intervenções integradas para minimizar os impactos do transtorno (BARKLEY; BRASIL). Entre as abordagens psicológicas, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta resultados consistentes na redução dos sintomas e no desenvolvimento de habilidades relacionadas à organização, ao planejamento, ao manejo da impulsividade e à regulação emocional. Quando associada às orientações familiares, às adaptações escolares ou profissionais e nos casos indicados, ao tratamento medicamentoso, a TCC contribui significativamente para melhorar o funcionamento diário, fortalecer a autonomia e favorecer uma melhor qualidade de vida (APA; NICE).
Referências:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.
BARKLEY, Russell A. TDAH: guia completo para compreender e manejar o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Porto Alegre: Artmed, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: diagnóstico e manejo. Londres: NICE, 2019.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Saúde mental e transtornos do neurodesenvolvimento. Brasília: OPAS Brasil, 2024.


