Embora este espaço seja dedicado às mulheres, falar sobre a saúde masculina também é fundamental. Afinal, cuidar da saúde de quem faz parte da nossa vida, como familiares e amigos, é uma maneira de demonstrar carinho, valorizar o bem-estar e incentivar a prevenção e a conscientização. O Novembro Azul reforça a reflexão, ao chamar a atenção para o câncer de próstata, uma das doenças que mais afetam a população masculina. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 77.920 novos casos por ano no Brasil, entre 2026 e 2028, o que representa uma parcela expressiva dos diagnósticos de câncer entre os homens. A idade é um dos principais fatores de risco, especialmente após os 60 anos. Também merecem atenção o histórico familiar da doença, principalmente em parentes de primeiro grau e a obesidade. Conhecer esses fatores é um passo importante para valorizar o acompanhamento médico e o cuidado contínuo.
O câncer de próstata merece atenção porque em sua fase inicial, geralmente, não apresenta sintomas. Quando as manifestações aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, necessidade de urinar com maior frequência, presença de sangue na urina ou alterações no fluxo urinário. Entretanto, esses sinais não significam necessariamente câncer, pois também podem estar relacionados a condições benignas da próstata. A avaliação deve ser individualizada considerando a idade, histórico familiar e condições de saúde. A dosagem do PSA, feita por meio de exame de sangue e o toque retal, podem fazer parte dessa investigação, mas não confirmam isoladamente a presença da doença. De acordo com a Associação Europeia de Urologia (EAU), a decisão de realizar os exames deve ser compartilhada entre médico e paciente. Quando os resultados indicam necessidade de aprofundamento, podem ser solicitados exames complementares e em situações específicas, biópsia para confirmação diagnóstica.
Além dos cuidados específicos com a próstata, preservar a saúde masculina envolve escolhas cotidianas, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e controlar o peso. A atenção também precisa alcançar o bem-estar emocional. Muitos homens ainda enfrentam dificuldades para expressar sentimentos, reconhecer o sofrimento psicológico e procurar atendimento, em razão de cobranças culturais associadas à masculinidade. Essa resistência pode atrasar tanto o cuidado físico quanto o apoio à saúde mental. A revisão sistemática de Sweeney e colaboradores chama a atenção para a permanência do estigma como uma barreira à procura por assistência psicológica. Portanto, o Novembro Azul deve ir além de uma campanha anual, representa uma oportunidade de ampliar o diálogo, combater preconceitos e incentivar uma relação mais responsável dos homens com a própria saúde.
Referências:
ASSOCIAÇÃO EUROPEIA DE UROLOGIA (EAU). Diretrizes da EAU sobre Câncer de Próstata: Avaliação Diagnóstica. 2025.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil, 2026–2028. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Nota Técnica nº 9/2023: Recomendação de não realização do rastreamento populacional do câncer de próstata. Brasília, 2023.
SWEENEY, J. et al. Intervenções para a redução do estigma relacionado à saúde mental entre homens: uma revisão sistemática. American Journal of Men’s Health, 2024.



