Em 1º de outubro, o mundo celebra o Dia Internacional das Pessoas Idosas e no Brasil a data coincide com o Dia Nacional do Idoso, previsto em lei (BRASIL). Mais do que um gesto simbólico, a celebração chama atenção para uma mudança demográfica global. Segundo as Nações Unidas, a expectativa de vida mundial chegou a 73,3 anos em 2024 e, no final da década de 2070, as pessoas com 65 anos ou mais, cerca de 2,2 bilhões, deverão superar em número os menores de 18 anos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS). Esse cenário afeta famílias, serviços de saúde, mercados de trabalho e comunidades em todos os continentes. Por isso, o envelhecimento deve ser visto como parte central do futuro das sociedades e não como um tema à parte.

Envelhecer é um processo natural que traz mudanças biológicas, psicológicas e sociais. Essa fase da vida pode trazer desafios, como a perda de entes queridos, de papéis profissionais e de parte da autonomia, que podem gerar solidão e baixa autoestima. Ao mesmo tempo, oferece oportunidades de aprender, criar, participar da vida comunitária e compartilhar experiência com as novas gerações. O maior obstáculo, porém, costuma ser o preconceito. Chamamos de etarismo, ou idadismo, os estereótipos e a discriminação contra alguém por causa da idade. Segundo o Relatório Mundial sobre o Idadismo, uma em cada duas pessoas no mundo tem esse tipo de atitude, o que prejudica a saúde, o bem-estar e a participação social das pessoas idosas (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE).

Diante disso, o envelhecimento populacional exige políticas que tratem as pessoas idosas como sujeitos de direitos. No Brasil, o Estatuto da Pessoa Idosa, antes chamado Estatuto do Idoso, garante a quem tem 60 anos ou mais, direitos como saúde, atendimento prioritário, transporte, moradia e proteção contra violência e negligência (BRASIL). Em escala global, a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) propõe combater o idadismo, criar ambientes amigáveis e ampliar o acesso a cuidados integrados (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE). Assim, quando a sociedade enfrenta o preconceito e garante participação, as pessoas idosas podem ser protagonistas da própria vida e envelhecer com mais autonomia e bem-estar.

Referências:

BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2003.

BRASIL. Lei nº 11.433, de 28 de dezembro de 2006. Dispõe sobre o Dia Nacional do Idoso. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2006.

BRASIL. Lei nº 14.423, de 22 de julho de 2022. Altera a Lei nº 10.741/2003 para substituir, em toda a Lei, as expressões “idoso” e “idosos” por “pessoa idosa” e “pessoas idosas”. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2022.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais. Divisão de População. Perspectivas da População Mundial 2024. Nova York: ONU, 2024.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Relatório Mundial sobre o Idadismo. Washington, D.C.: OPAS, 2022.