As emoções por trás do consumo
As compras compulsivas e compensatórias são compreendidas como comportamentos associados à dificuldade de regular emoções negativas, como ansiedade, frustração, solidão, dentre outras. Estudos mostram que esse padrão está ligado a impulsividade e estratégias inadequadas de enfrentamento emocional. Eliyahut identifica que compradores compulsivos apresentam níveis mais elevados de impulsividade e compulsividade, reforçando a ideia de que a compra funciona como alívio emocional momentâneo. Bonfant e Matos destacam que baixa autoestima e insatisfação pessoal favorecem o consumo impulsivo entre jovens. Assim, o ato de comprar passa a ser usado como forma de preencher lacunas emocionais, ainda que sem resolver a origem do desconforto e, muitas vezes, intensificando o próprio sofrimento psicológico.
As consequências emocionais e financeiras desse comportamento são amplamente documentadas. Leite e Silva, afirmam que compradores compulsivos relatam sentimentos frequentes de culpa, vergonha e arrependimento, que retroalimentam o ciclo impulsivo. Tais emoções tornam o comportamento mais difícil de controlar e podem intensificar quadros de ansiedade ou depressão. Oliveira e Gonçalves apontam que a compra compulsiva também funciona como uma estratégia disfuncional de enfrentamento, usada para aliviar tensões internas de forma imediata, porém temporária. Esse padrão pode gerar endividamento, conflitos pessoais e prejuízos significativos na autoconfiança e no autocontrole, ampliando a dependência emocional do ato de comprar.
Diante desse ciclo, a literatura clínica evidencia a eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) no tratamento do comportamento de compra compulsiva. Müller, Mitchell e Zwaan, demonstram que a TCC atua na identificação de gatilhos emocionais, reestruturação de pensamentos automáticos e desenvolvimento de estratégias mais saudáveis de regulação emocional. Esse processo terapêutico auxilia o indivíduo a compreender a função psicológica da compra e a substituir impulsos por respostas mais adaptativas. Profissionais como psicólogos e psiquiatras são essenciais para orientar essa mudança, promovendo autoconhecimento e escolhas mais conscientes. Assim, é possível romper o ciclo de impulsividade, reduzir danos emocionais e financeiros e construir uma relação mais equilibrada com o consumo.
Referências:
BONFANTI, K.; MATOS, C. A. Comportamento compulsivo de compra: fatores que influenciam o público jovem. REGE, Revista de Gestão, 2016.
ELIYAHU, S. Impulsividade e compulsividade na compra compulsiva. Frontiers in Psychiatry, 2025.
LEITE, P. L.; SILVA, A. C. Aspectos psiquiátricos e socioeconômicos como preditores de compras compulsivas. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 2016.
MÜLLER, A.; MITCHELL, J. E.; ZWAAN, M. Compra compulsiva: fundamentos clínicos e tratamento. CNS Drugs, 2012.
OLIVEIRA, P.; GONÇALVES, P. S. Fatores que influenciam o comportamento do consumidor em ambientes digitais. Revista de Administração da Unimep, 2019.