Alerta para a saúde mental
O burnout é um fenômeno ocupacional marcado por exaustão intensa, perda de energia, sensação de incapacidade e forte desgaste emocional decorrente de estresse prolongado no trabalho. Reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, ele surge quando as demandas ultrapassam continuamente os recursos internos do indivíduo, afetando humor, motivação e desempenho. Pesquisas atuais mostram que irritabilidade, isolamento, baixa autoestima e alterações cognitivas são sintomas frequentes, ligando-se diretamente à sobrecarga e à ausência de pausas adequadas (LEITE). A condição interfere no corpo e na mente, manifestando dores persistentes, tensão muscular e dificuldade de concentração. Esse conjunto de sinais compõe um ciclo desgastante que compromete a saúde integral e torna o burnout uma das principais síndromes psicossociais da atualidade (COSTA).
O burn on, embora relacionado ao burnout, apresenta características distintas. Descrito por estudiosos alemães como SCHIELE e WILDT, trata-se de um estado de esgotamento silencioso e contínuo, em que o indivíduo mantém seu ritmo profissional sem chegar ao colapso típico do burnout. A diferença principal está na evolução, o burnout tende a emergir após longo período de estresse acumulado, enquanto o burn on instala-se de forma crônica, mascarado por alta produtividade e aparente estabilidade emocional (MALPASS). O indivíduo vive em “piloto automático”, com sintomas como tensão constante, dores musculares e perda do prazer em atividades pessoais, mas continua funcionando normalmente no trabalho, o que dificulta a identificação precoce da condição.
O tratamento de ambas as condições deve ser multidisciplinar, com foco prioritário no burnout devido ao impacto imediato na capacidade funcional. A psicoterapia ajuda na compreensão dos gatilhos, no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e no restabelecimento de limites entre vida profissional e pessoal (OLIVEIRA). Intervenções estruturadas, como reorganização da rotina, redução de sobrecarga laboral, técnicas de relaxamento e práticas de autocuidado, são essenciais para prevenir agravamentos. Grupos de apoio também contribuem para quebrar o isolamento emocional e favorecer a troca de experiências. Quando bem conduzido, o tratamento promove recuperação progressiva do bem-estar, fortalece recursos emocionais e reduz o risco de evolução para quadros mais duradouros ou silenciosos, como o burn on.
Referências:
COSTA, A. S. F. Impactos psicossociais do burnout em trabalhadores brasileiros. Revista Saúde e Trabalho. Brasil, 2023.
LEITE, M. M.; BUENO, C.; NEVES, T. F. Intervenções para o burnout: uma revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. Brasil, 2021.
MALPASS, R.; MUND, J. Burn-on: uma nova dimensão da experiência de esgotamento. Pesquisa sobre Esgotamento. Brasil, 2022.
OLIVEIRA, R. P. Estratégias terapêuticas para esgotamento emocional crônico. Psicologia em Pesquisa. Brasil, 2023.ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Burn-out: um fenômeno ocupacional reconhecido na CID-11. Suíça, 2022.